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domingo, 26 de dezembro de 2010

É necessária a suplementação de vitamina B12 em pacientes que usam metformina?

Apesar de não haver um consenso sobre o tratamento da deficiência da vitamina B12 em indivíduos "assintomáticos" e que fazem uso de metformina, estudos mostram que alguns sintomas da deficiência desta vitamina são difíceis de diagnosticar e podem ser irreversíveis. Assim, deve-se levar em consideração que a suplementação de vitamina B12 é relativamente fácil, segura e eficaz, o que favorece o uso de suplementos para o tratamento precoce da deficiência desta vitamina.

A metformina é considerada um marco no tratamento do diabetes, sendo o medicamento mais prescrito para os indivíduos com diabetes tipo 2. Entretanto, o tratamento em longo prazo com este medicamento aumenta o risco de deficiência de vitamina B12, resultando na elevação nas concentrações séricas de homocisteína, um importante fator de risco para doenças cardiovasculares, especialmente entre os indivíduos com diabetes tipo 2.


A deficiência de vitamina B12 é evitável, sendo assim, recomenda-se a realização de dosagens regulares da concentração sérica de vitamina B12 durante o tratamento prolongado com metformina.


Essas conclusões são de um estudo clínico randomizado, multicêntrico, placebo controlado, que avaliou a incidência de deficiência de vitamina B12 (<150 pmol/L), baixas concentrações de vitamina B12 (150-220 pmol/L) e concentrações de folato e homocisteína em 390 pacientes com diabetes tipo 2 e que faziam uso de metformina.


É importante levar em consideração que a baixa concentração sérica de vitamina B12 também pode resultar em outras complicações clínicas como a anemia macrocítica e neuropatia.


Assim, a avaliação rotineira dos níveis de vitamina B12 durante o tratamento em longo prazo com metformina se faz necessária, para que sejam definidas as estratégias de prevenção e tratamento de deficiência desta vitamina.


Bibliografia (s)

de Jager J, Kooy A, Lehert P, Wulffelé MG, van der Kolk J, Bets D, et al. Long term treatment with metformin in patients with type 2 diabetes and risk of vitamin B-12 deficiency: randomised placebo controlled trial. BMJ. 2010;340:c2181.

Ting RZ, Szeto CC, Chan MH, Ma KK, Chow KM. Risk factors of vitamin B(12) deficiency in patients receiving metformin. Arch Intern Med. 2006;166(18):1975-9.

Flavonoides do cacau possuem atividade prebiótica

Pesquisadores da Universidade de Reading, Reino Unido, investigaram o papel de flavonoides do cacau na ação prebiótica. O estudo foi publicado na revista científica The American Journal of Clinical Nutrition e concluiu, pela primeira vez, que um flavonoide pode possuir atividade prebiótica, afetando significativamente o crescimento da microbiota intestinal benéfica.


As procianidinas são os flavonoides predominantemente encontrados no cacau e seus subprodutos. Estudos anteriores mostraram que os flavonoides do cacau possuem efeitos benéficos na diminuição do LDL-colesterol (lipoproteína de baixa densidade) e da agregação plaquetária, além de melhorar a sensibilidade à insulina e a função endotelial. No entanto, a maioria das procianidinas do cacau não são absorvidas no intestino delgado e assim, passam para o intestino grosso onde podem influenciar a composição da microbiota residente.


Deste modo, o objetivo do estudo foi validar o potencial prebiótico de flavonoides do cacau em indivíduos saudáveis através de um estudo randomizado, duplo-cego, controlado e cruzado.


O estudo consistiu de 22 voluntários que foram divididos em dois grupos: alta concentração de flavonoides do cacau (grupo HCF), com 494 mg/d ou com baixa concentração de flavonoides do cacau (grupo LCF), com 29 mg/d durante 4 semanas. Os participantes foram instruídos a misturar o conteúdo de um sachê contendo os flavonoides em 150 mL de água, uma vez por dia, após a refeição da noite. Após o período de suplementação de quatro semanas, os participantes trocaram de grupo, ou seja, quem estava no grupo de alta dose passou para o grupo de baixa dose e vice-versa, caracterizando o cruzamento do estudo.


Para avaliar a composição da microbiota intestinal foram analisadas amostras de fezes dos participantes, antes e após cada intervenção. Além disso, foram coletadas amostras de sangue para dosagens de lipídios plasmáticos e proteina C-reativa (PCR).


No grupo HCF houve elevação significativa das bactérias benéficas, como Bifidobacterium (p<0,01) e Lactobacillus (p<0,001) e diminuição na contagem de bactérias patogênicas, como Clostridium (p<0,001) em comparação com o grupo LCF. Essas mudanças na microbiota intestinal também foram acompanhadas por reduções significativas nas concentrações de triacilglicerídeos (p<0,05) e proteína C-reativa (p<0,05).


A microbiota intestinal pode ser modulada pela utilização de pré e probióticos. Os prebióticos eficazes possuem baixa digestibilidade e biodisponibilidade, além de serem seletivos para o crescimento e metabolismo de bactérias benéficas.


Atualmente, os prebióticos mais usados são frutooligossacarídeos e galactooligossacarídeos, que melhoram o crescimento de Bifidobacterium e influenciam positivamente a absorção de minerais, metabolismo lipídico e sistema imunológico.


“Até o momento haviam informações limitadas quanto à capacidade dos flavonoides em influenciar o crescimento de bactérias intestinais”, comentam os pesquisadores.


“As alterações observadas ressaltam a capacidade desses flavonoides em induzir efeitos específicos no intestino, tornando-se um efeito adicional de fitonutrientes para a saúde. Embora mais estudos sejam necessários para confirmar esses achados, os resultados deste estudo sugerem que os componentes do cacau podem contribuir na saúde dos indivívuos”, concluem.




Referência(s)

Tzounis X, Rodriguez-Mateos A, Vulevic J, Gibson GR, Kwik-Uribe C, Spencer JP. Prebiotic evaluation of cocoa-derived flavanols in healthy humans by using a randomized, controlled, double-blind, crossover intervention study. Am J Clin Nutr. 2010 Nov 10. [Epub ahead of print]

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Quais são os alimentos com alegações de propriedade funcional aprovadas?

De acordo com a portaria no 398 de 30/04/99, da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde no Brasil, alimento funcional é: "todo aquele alimento ou ingrediente que, além das funções nutricionais básicas, quando consumido como parte da dieta usual, produz efeitos metabólicos e/ou fisiológicos e/ou efeitos benéficos á saúde, devendo ser seguro para consumo sem supervisão médica".

A regulamentação atual no Brasil fornece as alegações sobre os componentes alimentares com propriedade funcional. Essas alegações são analisadas e aprovadas com base em diversos estudos científicos, por isso cada caso é avaliado independentemente. O uso destas alegações em qualquer alimento só será permitido após aprovação da Anvisa. Não são aprovadas alegações para ingredientes ou componentes dos alimentos, mas para o produto final que contenha esses ingredientes ou componentes.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a padronização das alegações favorece o entendimento dos consumidores quanto às informações e propriedades veiculadas nos rótulos dos alimentos.

Estão listados abaixo alguns exemplos de compostos alimentares com suas respectivas alegações de propriedades funcionais:




Referência (s)

Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Alegações de propriedade funcional Aprovadas. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br. Acessado em: 26/11/2010.

Bebidas adoçadas com frutose aumentam o risco de gota entre mulheres

Pesquisadores norte-americanos publicaram na revista científica JAMA (The Journal Of the American Medical Association) um estudo que verificou que o consumo de bebidas adoçadas com frutose aumentou o risco para o desenvolvimento de gota em mulheres.

A gota é uma artrite inflamatória caracterizada pela hiperuricemia (elevação dos níveis de ácido úrico no sangue). Evidências sugerem que a gota está fortemente associada à síndrome metabólica, podendo levar ao infarto do miocárdio. Historicamente, vem sendo considerada uma doença do sexo masculino, mas evidências mostram o crescimento da incidência em mulheres idosas.

Embora bebidas açucaradas contenham baixos níveis de purinas (que é o precursor do ácido úrico), elas contêm grandes quantidades de frutose, que é o único carboidrato conhecido por aumentar os níveis de ácido úrico. A ingestão excessiva de frutose resulta em rápido aumento do ácido úrico sérico, através de acentuada degradação dos nucleotídeos purínicos e, consequentemente, aumento da síntese de purinas. Esse efeito pode ser encontrado especialmente em indivíduos com hiperuricemia ou histórico de gota.

Neste estudo, os autores avaliaram prospectivamente a relação entre a ingestão de bebidas ricas em frutose e a incidência de gota em uma coorte de 78.906 mulheres sem histórico de gota.

Para avaliar a ingestão dietética, incluindo o consumo de bebidas, foi utilizado um questionário de frequência alimentar validado, no período de 1984 e 2006.

Durante 22 anos de seguimento, foram documentados 778 casos confirmados de gota. As mulheres que consumiram uma porção por dia, de bebidas adoçadas com frutose (como os refrigerantes que não são dietéticos), tiveram um aumento de 74% do risco de gota (risco relativo de 1,74 e intervalo de confiança de 95% [IC]: 1,19-2,55) em comparação com o consumo de menos de uma porção por mês. Já as mulheres que consumiram duas ou mais porções por dia tiveram um risco 2,4 vezes maior (risco relativo de 2,39 e 95% IC: 1,34-4,26) (p<0,001), também comparadas com o consumo de menos de uma porção por mês.

O consumo excessivo de suco de laranja adoçado com frutose também foi associado com o risco de gota. As mulheres que consumiram uma porção por dia desta bebida apresentaram risco 41% maior de desenvolver gota (risco relativo de 1,41 (95% IC: 1,03-1,93), e também houve risco 2,4 vezes maior quando o consumo foi de duas ou mais porções por dia (p=0,02), em comparação com as mulheres que consumiram menos de um copo de suco de laranja por mês,. Entretanto, o consumo de refrigerantes dietéticos não foi associado com o risco de gota.

“Nossos resultados fornecem evidências prospectivas que o consumo de refrigerantes e sucos de laranja adoçados com frutose está associado com risco aumentado da incidência de gota em mulheres”, explicam. “Por isso, nossas descobertas têm implicações práticas para a prevenção de gota em mulheres. Este fato serve de alerta para os profissionais da saúde, que devem estar cientes dos efeitos destas bebidas sobre o risco de gota”, concluem.




Referência(s)

Choi HK, Willett W, Curhan G. Fructose-rich beverages and risk of gout in women. JAMA. 2010;304(20):2270-8

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

LABORATÓRIO – ALERGIA
ARTIGO DE REVISÃO 2007
O objetivo deste artigo é revisar os exames laboratoriais disponíveis utilizados no diagnóstico da alergia alimentar mediada ou não pela IgE. Neste artigo, trabalho-se na abordagem diagnóstica das reações alérgicas aos alimentos, a história clínica, estudos laboratoriais, dietas de eliminação e desencadeamento cego com o alimento.
A história clínica tem papel fundamental na avaliação diagnóstica das reações adversas dos alimentos. Os mecanismos imunológicos ou reações de hipersensibilidade, envolvidos na gênese de manifestações clínicas são: tipo I ou mediada por IgE; tipo II ou de citotoxicidade; tipo III ou imunocomplexos e tipo IV ou celular.
A alergia alimentar mediada por IgE é produzida pela interação de vários tipos celulares após a exposição á antígenos, via inalatória, cutânea ou parenteral. A determinação da IgE específica auxilia na identificação das alergias alimentares mediadas por IgE de tipo I ou anafilática.
Em relação á determinação da IgE especifíca, os dois maiores problemas de testes cutâneos no diagnóstico da alergia alimentar são a quantidade reduzida de extratos padronizados disponíveis para uso clínico e a instabilidade de alérgenos alimentares. A realização de testes cutâneos sofrem restrições, dentre estes: podem desencadear reações sistêmicas, uso prévio de antihistaminicos ou antidepressivo, recomendando=se a sua suspensão por pelo menos 5 dias antes da realização do teste; pacientes com dermografismo evidente pode gerar falso positivo e pacientes com lesões cutâneas extensas, distúrbios de coagulação ou em uso de beta-bloqueadores.
A IgE em humanos são imunoglobulinas e circulam no sangue periférico como monômeros. O padrão ouro para o teste de diagnóstico de alergias alimentares é o teste de provocação oral, duplo cego e controlado por placebo. A liberação de histamina pelos mastócitos cutâneos ativados levam á formação de pápula e eritema locais, indicando IgE especifica. O teste é rápido, fácil e seguro.
De acordo com o conhecimento do paciente ou da família e do médico, em relação á natureza da substância ingerida, os testes são classificados em aberto ( paciente e médico), simples cego ou duplo cego e controlado por placebo, sendo realizado preferencialmente em ambiente hospitalar com os recursos de emergência disponíveis.
São situações em que a necessidade dos testes de provocação oral se impõem: casos de alimentos considerados suspeitos; reação anafilática, cujo alimento não apresenta positividade no teste de IgE especifíca; necessidade de estabelecer reação causa x efeito entre o alimento e sintomas e alergias potencialmente ou não mediadas por IgE.
A restrição do alimento suspeito deve ser de pelo menos 2 semanas, sendo suspenso o uso de antihistaminicos conforme a meia vida e a medicações usadas para asma. O numero crescente de aquisições tem melhorado o valor preditivo de alguns testes laboratoriais empregados no diagnóstico de alergias alimentares. O padrão ouro no diagnóstico definitivo da alergia alimentar especifica é o duplo cego controlado por placebo. Os níveis séricos de IgE específicos á alimentos que excedem aos valores diagnósticos indicam que o paciente tem chance maior do que 95% de apresentar uma reação alérgica ao se ingerir o alimento em questão.
São exemplos de manifestações alérgicas por IgE: urticária, angioderma, edema, prurido labial e lingual ou palatal, vômitos, diarréia, prurido ocular e lacrimejante, congestão nasal e broncoespasmo, entre outros.
Alguns autores preconizam o teste labial no início do procedimento, aplicando o alimento no lábio inferior do paciente e prosseguindo com o teste caso não haja reação local ou sistêmica após alguns minutos.

domingo, 28 de novembro de 2010

Quais as características da dieta cetogênica?

A dieta cetogênica inclui 80% de gordura, 15% de proteína e apenas 5% de carboidrato. Essa dieta é utilizada em crianças que sofrem de epilepsia, em casos que não tiveram sucesso com o tratamento medicamentoso. A dieta cetogênica pode ser aplicada em pacientes com convulsões associadas a distúrbios metabólicos, tais como deficiência de proteína transportadora de glicose (doença de DeVivo), deficiência de piruvato-desidrogenase e defeitos da glicólise cerebral.

No entanto, se faz necessário uma triagem metabólica antes de iniciar a terapia nutricional, pois determinados distúrbios metabólicos podem ser agravados pela dieta, como a deficiência de piruvato-carboxilase, porfiria, deficiência de carnitina, distúrbios mitocondriais e defeitos da oxidação dos ácidos graxos.

A maior parte da gordura comumente utilizada na dieta cetogênica é fornecida por triglicerídeos de cadeia longa. Entretanto, os triglicerídeos de cadeia média assumiram papel importante na composição da dieta, pois foi introduzido na tentativa de melhorar a palatabilidade, além de possuir maior caráter cetogênico.

A dieta cetogênica é iniciada após um período de 24-48 horas de jejum, com o paciente hospitalizado. Durante o jejum, o paciente pode beber água, bebidas sem açúcar ou gelatina também sem açúcar. Pesquisadores demonstraram que o início gradual resulta em menos efeitos adversos, melhora a tolerabilidade e mantém a eficácia da dieta. Recomenda-se que a introdução da dieta se inicie com um terço das calorias por refeição, aumentando para dois terços das calorias por refeição e, em seguida, a quantidade total de calorias por refeição a cada 24 horas. Os pacientes devem receber alta quando a quantidade total de calorias por refeição é atingida e bem tolerada, que normalmente ocorre em 2-3 dias após o início da dieta.

O plano alimentar deve ser adaptado para cada paciente e podem incluir creme de leite, bacon, ovos, atum, camarão, legumes, maionese e outros produtos ricos em gordura e pobre em carboidratos. Os pacientes são proibidos de consumir frutas ou vegetais ricos em amido, pães, massas, grãos, ou fontes de açúcares simples. Por ser uma dieta nutricionalmente desequilibrada, os pacientes também devem receber as doses diárias recomendadas de vitaminas e minerais (em formulações sem açúcar), bem como a suplementação de cálcio. As quantidades exatas dos alimentos para o plano alimentar devem ser calculadas com base em dados individuais do paciente (idade, peso e outras medidas antropométricas), idealmente com a utilização de softwares específicos para o cálculo da dieta cetogênica.

O acompanhamento por um profissional nutricionista especializado deve ser frequente, principalmente por se tratar de um tratamento dietoterápico fora dos padrões normais.


Bibliografia (s)

Kossoff EH. The ketogenic diet: an appropriate first-line therapy? Expert Rev Neurother. 2010;10(6):843-5.

Rogovik AL, Goldman RD. Ketogenic diet for treatment of epilepsy. Can Fam Physician. 2010;56(6):540-2.

Marques CG. O que é e para que serve a dieta cetogênica? Disponível em: http://www.nutritotal.com.br/perguntas/?acao=bu&id=322&categoria=9 Acessado em: 12/11/10.

Vasconcelos MM, Azevedo PMC, Esteves L, Brito AR, Olivaes MCD, Herdy GVH. Dieta cetogênica para epilepsia intratável em crianças e adolescentes: relato de seis casos. Rev. Assoc. Med. Bras. 2004; 50(4): 380-385. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-42302004000400026&lng=en Acessado em: 12/11/10.

Fórmula infantil suplementada com prebióticos previne dermatite atópica

Estudo publicado por pesquisadores europeus na revista científica Journal of Allergy and Clinical Immunology mostrou que a suplementação de oligossacarídeos específicos foi eficaz na prevenção da dermatite atópica em lactentes com baixo risco de atopia.

A dermatite atópica (DA) é a doença crônica da pele mais comum em crianças, ocorrendo especialmente no primeiro ano de vida, com crescente prevalência em países industrializados. Embora a maioria dos casos seja transitória, a coceira causada pela inflamação leva danos à pele e estresse emocional.

Fatores genéticos desempenham papel importante no desenvolvimento da DA e história familiar positiva para doenças atópicas é o mais forte preditor para o seu desenvolvimento. Isso facilita a triagem da população de risco e permite medidas de prevenção primária.

Estudos anteriores com bebês que apresentavam risco elevado para o desenvolvimento de atopia demonstraram que a combinação específica de prebióticos, como oligossacarídeos sintéticos, reduze a incidência da DA em 51%, até 2 anos de idade. Oligossacarídeos contribuem com cerca de 10% dos componentes sólidos do leite materno e exercem funções prebióticas importantes na microbiota intestinal infantil.

Com isso, os pesquisadores avaliaram se a suplementação de prebióticos imunoativos, presentes em fórmula infantil, reduz a ocorrência de DA no primeiro ano de vida. A fórmula continha uma mistura específica de scGOS (oligossacarídeos de cadeia curta), lcFOS (frutooligossacarídeos de cadeia longa) e PAO (oligossacarídeos derivados de pectina), que foram desenvolvidos para simular oligossacarídeos do leite materno.

O estudo foi duplo-cego, controlado por placebo, prospectivo e randomizado. Os pesquisadores avaliaram se a alimentação com fórmula suplementada da mistura específica de oligossacarídeos reduz a incidência de episódios de febre em bebês nascidos a termo saudáveis durante o primeiro ano de vida.

Foram incluídos bebês saudáveis, com peso normal, idade até oito semanas e sem história positiva de doença alérgica. No início do estudo, as mães relataram se tinham a intenção em oferecer aleitamento materno exclusivo até pelo menos 4 meses de idade ou se iriam oferecer apenas fórmulas infantis. Os bebês de mães que indicaram que iriam fornecer aleitamento materno exclusivo foram incluídos no grupo de aleitamento materno (AM). Este grupo serviu como grupo de referência não randomizado. As crianças randomizadas para o grupo prebióticos (GP) receberam fórmula não hidrolisada à base de leite de vaca, contendo 8g/L de oligossacarídeos (scGOS, lcFOS e PAO). Os bebês randomizados para o grupo controle (GC) receberam fórmula não hidrolisada à base de leite de vaca sem adição de prebióticos oligossacarídeos.

Foram incluídos 414 bebês no grupo prebióticos, 416 no grupo controle e 300 no grupo aleitamento materno. Até o primeiro ano de vida, a dermatite atópica ocorreu em número significativamente menor no grupo prebiótico (5,7%) do que do grupo controle (9,7%, p=0,04). A incidência de dermatite atópica no grupo prebiótico foi semelhante ao grupo aleitamento materno (7,3%). A taxa total de dermatite atópica foi significativamente menor em 44% no grupo de prebiótico em relação ao grupo controle (p=0,04).

“No que diz respeito à prevenção da dermatite atópica precoce, os dados de nosso estudo suportam a recomendação geral de leite materno exclusivo como primeira escolha para a nutrição infantil. Nos casos em que o aleitamento materno não é possível, a fórmula infantil suplementada com a mistura específica de scGOS/lcFOS/PAO pode ser uma alternativa promissora para prevenção da dermatite atópica”, ressaltam os autores.

“Nós especulamos que este efeito pode persistir mesmo após o primeiro ano de vida e podem resultar em redução da incidência de alergias respiratórias posteriores. Por essa razão, o estudo continuará em seguimento para avaliar os efeitos em longo prazo”, concluem.


Referência(s)

Grüber C, van Stuijvenberg M, Mosca F, Moro G, Chirico G, Braegger CP, et al. Reduced occurrence of early atopic dermatitis because of immunoactive prebiotics among low-atopy-risk infants. J Allergy Clin Immunol. 2010;126(4):791-7.