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Armazem Gaia

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Proteína e Força

Nos dias de hoje ainda, o mito do consumo de alimentos que forneçam proteína aliado ao aumento de força muscular é tido por muitos como verdadeiro.

Historicamente, diz a lenda, na época das guerras dos povos grego/romano, um lutador ficou bastante famoso pela sua força e sucesso nas lutas.

Milo de Croton além de sua capacidade de combate foi também o responsável por introduzir na alimentação daquela região o consumo de alimentos de origem animal, mais especificamente a carne.

Contam que no mesmo dia Milo teria ingerido 8 kg de carne, 8 kg de pão e 9,5 litros de vinho. Sua força seria supostamente resultado da carne consumida.

Aproveitando este pequeno relato histórico, podemos indagar quais seriam as prováveis deficiências da população que não ingeria carne. Teríamos o ferro que quando consumido em quantidades insuficientes resultaria em anemia. Assim como a vitamina B12 que também em estado carencial poderia provocar a anemia.

A anemia clinicamente é caracterizada por perda da disposição física ou popularmente, perda de força. Será que não existiria naquela região e época uma enorme população de anêmicos e que Milo seria então o único com perfil distinto dos demais?

De qualquer forma a herança que se arrasta até hoje é a relação do consumo de alimentos contendo elevada concentração de proteína e a força dos indivíduos. Este equivocado pressuposto faz com que adolescentes insatisfeitos com a composição corporal que possuem busquem em suplementos nutricionais a fórmula mágica para o aumento da massa muscular. Esses suplementos por sua vez, são compostos de grande concentração de proteína propondo com isso o aumento da massa muscular.

O objetivo estético pode ser alcançado quando o treinamento contra resistência (popularmente chamado de musculação) é realizado cronicamente seguido de maior ingestão de alimentos contendo carboidratos.

A ingestão de alimentos contendo proteína tem sua importância, porém diversos estudos nacionais mostram que a população brasileira apresenta grande consumo deste nutriente, não sendo então para esta população um elemento carencial.

Outro aspecto bastante relevante é quanto aos efeitos do consumo exagerado de alimentos contendo proteína. Um dos produtos do metabolismo de proteína é a amônia que é excretada pelos rins na forma de uréia. Este metabólito pode então determinar maior atividade renal e consequentemente sobrecarga a este órgão.

Assim podemos identificar que a ingestão de alimentos contendo grande quantidade de proteína ou então suplementos de origem protéica com o objetivo de promover aumento de massa muscular, pode resultar em prejuízo a saúde do consumidor e o que é pior não atender a expectativa.

Suplementos Nutricionais e Atividade Física

Um fato que chama a atenção é o comportamento de algumas pessoas que, interessadas em entrar em forma, procuram as academias.

Nada de errado haveria se elas estivessem dispostas a realizar um programa de treinamento orientado, visando maior bem estar e/ou modificar a composição corporal (perder gordura e ganhar massa muscular). O fato é que, ao entrar na academia, elas imediatamente perguntam: “o que eu tomo para ficar forte e magro?”

Este comportamento, bastante disseminado na nossa cultura, tem despertado o consumo de diversas substâncias com efeitos ainda duvidosos. Como exemplo, temos, aquele indivíduo que as vésperas do verão percebe que a sunga já não entra e o braço fica folgado na camiseta. Ele chega e pergunta: “como faço para queimar esta gordura e ganhar músculos?”.

Se este indivíduo estiver disposto a treinar para este fim, tudo bem. Porém, ele pode estar interessado em encontrar algum suplemento que faça isto por ele. A pergunta pode ser: “o que eu tomo?” E não, “como eu treino?”

Chamo isto de terceirizar a responsabilidade. A pessoa consome os alimentos equivocadamente, deixa de treinar e a responsabilidade em queimar a gordura e manter os músculos não é dela e sim do suplemento. Nenhum suplemento consegue remover a gordura do nosso corpo, apenas intervenções cirúrgicas fazem isto. Tome cuidado, porque existem diversos produtos que dizem retirar esta gordura, porém, cientificamente, nenhum comprovou isto.

A gordura, ao ser utilizada pelo nosso corpo é convertida em gás carbônico, que eliminamos na respiração. Não é possível eliminar gordura pela urina e a que já está em nosso corpo não sai pelas fezes.

O mesmo acontece com o indivíduo que vai a academia e quer ficar forte da noite para o dia. Busca suplementos como aminoácidos e outros que prometem o ganho de massa muscular rapidamente. O fato mais importante é que este ganho, se por ventura acontecer, irá implicar em sobrecarga ósseo-articular.

Os ossos e as articulações não conseguem acompanhar, com a mesma velocidade, o ganho ocorrido nos músculos, ficando mais suscetíveis a inflamações e, cronicamente, a lesões.

Se então, seu objetivo é ficar forte e com pouca gordura no corpo, faça atividade física regularmente, possibilitando ao seu organismo adaptação progressiva ao ganho de massa muscular.

Reorganize sua alimentação, reduzindo o consumo de gordura nos alimentos e aumentando os alimentos ricos em carboidratos. Não acredite em dietas ou suplementos antes de uma avaliação da sua ingestão alimentar.

Busque a ajuda de profissionais capacitados para orientá-lo. Suplementar a alimentação de alguém sem saber o que esta pessoa ingere, pode determinar severos desequilíbrios nutricionais com o comprometimento do estado de saúde do indivíduo.

Treine bem e se alimente corretamente!

Perder peso não é sinônimo de saúde

A maior preocupação dos pesquisadores quando se fala em perda de gordura corporal atualmente é com a busca desesperada — e muitas vezes inconsequente — pelo corpo perfeito, estar magro ou magra.

Há alguns anos, nos Estados Unidos, uma pesquisa publicada na revista científi ca Cell afi rmava ter encontrado a pílula do exercício. Ao administrar uma droga para ratos, os animais emagreceram e mostraram alguma melhora em parâmetros como colesterol, sem fazer exercícios físicos e sem alterar a dieta. Esta droga surgiu então como a “pílula do exercício”. Quem “não tem tempo” não precisaria mudar os hábitos de vida, bastava tomar esse medicamento.

Outros pesquisadores passaram a estudar essa droga, avaliando a possibilidade de ela vir a ser um medicamento comercializado em farmácias. No entanto, a lista de benefícios proveniente da prática regular de atividade física jamais poderá ser alcançada por um medicamento. Não podemos esquecer que exercício não traz apenas benefícios físicos e no perfi l bioquímico do sangue. É responsável
também por melhoras nos âmbitos social e emocional.

Obviamente que a tal droga não só não foi aprovada pelo FDA (órgão que controla comercialização de medicamentos nos EUA), como tem sido alvo de severas críticas no meio da medicina esportiva. De fato, o que faz com que esse tipo de estudo e de proposta surja é a busca incessante por baixa quantidade de gordura corporal, curvas perfeitas, músculos defi nidos...

Aspectos que vão muito além da busca pela saúde e pela qualidade de vida.

Energéticos em excesso prejudicam a saúde

Conhecidas por melhorar o desempenho físico de atletas, as bebidas energéticas podem não ser tão benéficas quanto se pensava. De acordo com pesquisadores da Universidade de Nova Southeastern, na Flórida (EUA), o consumo desenfreado desses líquidos pode causar insônia, arritmia, osteoporose, doenças cardiovasculares, complicações no parto e na gestação e problemas gastrointestinais.

“As bebidas energéticas contêm, tradicionalmente, cafeína, taurina, sacarose, guaraná, ginseng, niacina e vitamina B12”, descreve Stephanie Ballard, uma das responsáveis pelo estudo. Segundo ela, a melhora no desempenho físico proporcionado pela bebida está diretamente relacionada à cafeína. Até aí, nenhuma novidade. Mas Stephanie vai além: "Os efeitos da cafeína podem variar no desempenho anaeróbico do indivíduo”.

Os resultados levantados pela equipe colocam em xeque ainda se a combinação entre a bebida e exercícios físicos pode acelerar, de fato, a perda de peso. “O aumento na queima de calorias tende a diminuir e a voltar ao normal quando o uso da cafeína se torna um hábito regular e corriqueiro”, acrescenta Ballard. Além disso, por ser frequentemente acrescida de açúcar, ela pode ser tão prejudicial para o ganho de peso quanto os refrigerantes.

Doping - O consumo exagerado de uma substância ativa como a cafeína pode trazer efeitos colaterais sérios ao organismo. Nos energéticos, a substância está presente em concentrações altíssimas (até seis vezes mais do que em outras bebidas). Por isso, apesar de ter sido retirada da lista da Agência Mundial Anti-Doping em 2004, a substância é monitorada desde 2009 para evitar o uso abusivo.

De acordo com as regras da Associação Atlética Universitária Nacional dos EUA, atletas que apresentam mais de 15mg/L de cafeína na urina são barrados no teste anti-doping. Oito xícaras de café, cada uma com 100mg de cafeína, são suficientes para atingir a quantia permitida.

POR QUE A ANVISA LIBEROU A CREATINA?

Com a necessidade de atualização da Portaria SVS/MS n. 222/1998, verificou-se que os consensos científicos (nacionais e internacionais) sobre o tema apresentavam nova fundamentação científica que comprovava a eficácia da Creatina para atletas em exercícios repetitivos de alta intensidade e curta duração.

A ANVISA avaliou estudos científicos apresentados pelas empresas durante o período de consulta pública e pelo grupo de trabalho instituído pela ANVISA para a revisão da Portaria SVS/MS n. 222/1998.

Sendo que a maioria se refere a consensos científicos na área (Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte - SBME; Scientific Committee On Food / European Commission) e outros ensaios clínicos sobre a eficácia da Creatina para atletas.

Por que a creatina era proibida?

Na época de sua proibição, os estudos científicos apresentados pelas empresas sobre Creatina não comprovavam sua segurança de uso como alimento, devido à possibilidade de efeitos adversos e a falta de consenso científico sobre segurança e eficácia.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Quais as características do paciente com diabetes tipo 3?

Pacientes com diabetes tipo 3 (DM3), ou diabetes tipo 1 mais tipo 2, possuem características das duas doenças, ou seja, o paciente com DM3 tem dependência total da insulina e normalmente mantém um peso adequado durante a juventude.

Por apresentar uma carga genética favorável a resistência à insulina, associada a exposição aos fatores ambientais (sedentarismo e dieta rica em açúcares e gorduras), este paciente adquire características de um indivíduo com diabetes do tipo 2: obesidade (principalmente a central), hipertensão, dislipidemia e resistência à insulina exógena. Ou seja, é um paciente diabético tipo 1 com sintomas de síndrome metabólica, normalmente apresentada por portadores de diabetes tipo 2.

O tratamento torna-se mais difícil, pois o indivíduo depende totalmente da aplicação de insulina para reduzir seus níveis de glicemia, mas devido a resistência à insulina o hormônio acaba tendo que ser ofertado em doses mais altas, o que facilitaria o ganho de peso deste paciente.

Além do tratamento dietoterápico ser direcionado a indivíduos obesos e do incentivo à prática de atividades físicas, a utilização de medicamentos para pacientes diabéticos do tipo 2 (como a metformina) e/ou inibidores de apetite (como a sibutramina) pode ser feita empiricamente. Quando o peso corporal do indivíduo diminui, os controles metabólicos também melhoram.




Bibliografia (s)

Litwak L. Diabetes tipo 3. Disponível em: http://www.cedepap.tv/. Acessado em: 16/08/2010.

Andren-Sandberg A, Hardt PD. Second Giessen International Workshop on Interactions of Exocrine and Endocrine Pancreatic Diseases. JOP. 2008;9(4):541-75. Disponível em: http://www.joplink.net/prev/200807/07.html. Acessado em: 16/08/2010.

Consumo moderado de álcool contribui com melhor estado de saúde

Estudo publicado no European Journal of Clinical Nutrition divulgou que o consumo moderado de álcool favorece um bom perfil clínico e biológico, constituindo baixo risco para doenças cardiovasculares (DC).
O objetivo do estudo foi avaliar diversas variáveis que poderiam influenciar na relação do consumo de álcool e riscos para DC em uma grande população francesa, cuja ingestão média de álcool é uma das mais altas do mundo.

Durante seis anos, o estudo coletou dados de aproximadamente 150 mil franceses (97.406 homens de 47 ± 15 anos e 52.367 mulheres de 47 ± 12 anos). Para analisar a relação entre o consumo de álcool e o risco para DC os autores calcularam uma série de variáveis em relação a saúde geral, como fatores sociais, saúde mental, função respiratória, função cardíaca e medidas antropométricas.

O consumo total de álcool (somatória de todas as bebidas alcoólicas) aumentou com a idade em ambos os sexos, exceto no grupo de pessoas mais jovens (< 30 anos de idade). A bebida mais consumida foi o vinho, em comparação a outras bebidas como cerveja, cidra, entre outras (p < 0,0001).

Apenas 9,2% dos homens não bebiam, 47,8% bebiam pouco (< 1 copo/dia), 24,9% bebiam moderadamente (entre 1 a 3 copos/dia) e 13,7% bebiam bastante (> 3 copos/dia). Já entre as mulheres estes valores mudaram para 20,1% para aquelas que não bebiam, 58,4% com consumo baixo, 14,7% com consumo moderado e 3,0% com consumo alto. A medida utilizada (1 copo) equivalia a 10g de álcool.

Entre as mulheres, o índice de massa corporal (IMC), a circunferência da cintura, a circunferência do quadril, a relação cintura/quadril, a prevalência de obesidade (IMC > 30 kg/m2) e a pressão sanguínea foram mais baixas nas consumidoras moderadas de álcool e altos quando comparadas aquelas que não bebiam. Não houve relação entre as medidas antropométricas dos homens e o consumo de álcool.

Houve uma relação positiva significativa entre o hábito de beber e a prática de exercício física. Entre as mulheres, as que tinham ingestão moderada de álcool declararam praticar mais atividades físicas do que os outros grupos. Diferentemente nos homens, os que mais praticavam atividades físicas eram aqueles que não bebiam. Em ambos os sexos, a função respiratória era maior no grupo que consumia álcool moderadamente e menor naqueles que não ingeriam as bebidas.

A proporção de pessoas com uma avaliação ruim do estado de saúde foi em geral baixa entre os consumidores de álcool com consumo moderado e alta, comparados com aqueles que não bebiam.

Em ambos os sexos, o nível de colesterol total plasmático foi positivamente associado com o consumo de álcool. Os menores níveis foram observados nos indivíduos que não consumiam bebida alcoólica, enquanto os níveis mais altos estavam presentes entre aqueles com alta ingestão de álcool. As lipoproteínas de baixa densidade (LDL) também foram positivamente associadas com o consumo de álcool em homens, mas nas mulheres, os menores valores de LDL foram encontrados entre as que consumiam álcool com moderação. Baixos níveis plasmáticos de triglicerídeos e glicemia de jejum foram observados entre homens e mulheres com baixo ou moderado consumo de álcool. Os níveis de lipoproteína de alta densidade (HDL) estavam mais baixos entre os indivíduos que não bebiam e aumentavam proporcionalmente com o aumento de álcool, independente do tipo de bebida consumida.

“Por mais que nosso estudo e alguns estudos anteriores tenham verificado esta relação entre o álcool, aumento dos níveis de HDL e consequente redução de risco para doenças cardiovasculares, os dados ainda são limitados e não se pode afirmar que este efeito seja benéfico”, dizem os autores.

“Nossos dados mostram que as variáveis sociais, clínicas e biológicas variaram conforme o hábito de ingestão individual de álcool. Outros estudos também apontam estas questões e dizem que as pessoas que bebem álcool moderadamente, particularmente vinho, têm em geral uma dieta e hábitos de vida mais saudáveis do que quem não bebe ou quem consome grandes quantidades de álcool. Podemos concluir que consumir álcool moderadamente manifesta no indivíduo um estado de saúde com menor risco para o desenvolvimento doenças cardiovasculares”, afirmam os autores.





Referência(s)

Hansel B, Thomas F, Pannier B, Bean K, Kontush A, Chapman MJ, Guize L, ET al. Relationship between alcohol intake, health and social status and cardiovascular risk factors in the urban Paris-Ile-De-France Cohort: is the cardioprotective action of alcohol a myth? EJCN. 2010;64:561–8.